Botões esquecidos

Lisboa, Portugal
"Saudades! Tenho-as até do que me não foi nada, por uma angústia de fuga do tempo e uma doença do mistério da vida. Caras que via habitualmente nas minhas ruas habituais - se deixo de vê-las entristeço; e não me foram nada, a não ser o símbolo de toda a vida."

sábado, 10 de dezembro de 2011

Perdida no mundo








"Gosta de trabalhar para mim?
Sim gosto.
Quando entrei vi no seu rosto que estava triste.
Não,é impressão sua...
Diga lá a verdade dona Adeline!!
Sim estou!!
Porque?
As festas estao a chegar,o natal...
Entao mas isso deveria ser bom.
Não eu nao tenho ninguem, sou sozinha no mundo!!
(Não consegui abrir a boca apenas cheguei perto da senhora e dei-lhe dois beijinhos na cara).
Para o próximo ano se passar o natal em França esta senhora não fica sozinha garanto!
(...)
A dona Adeline costuma dormir bem?
Não, querida. Sonho muito com a minha mãe. Isso recorda-me de um passado onde era tão feliz e de um presente onde não me resta nada."



Parte-me o coração ver pessoas nesta situação, ainda para mais pessoas idosas.
Pessoas essas que simplesmente odeiam o natal por não ter um ombro onde encostar a cabeça, uma palavra de amor, uma conversa simpática á lareira. Aquele calor que nos invade o coração, a felicidade de sentir que temos alguem que nos ama e quer o nosso bem. 
Fico com uma tristeza dentro de mim, inimaginável!!
Não a conheço mas já a adoro, e para o ano que vem juro, dou a minha palavra que pelo menos esta senhora terá um natal digno de qualquer ser humano, com todo o amor e carinho que uma família pequena como a minha pode dar.
 E quando esse dia chegar serei uma pessoa orgulhosa de mim mesma.
De uma coisa tenho certeza, não vou conseguir passar este natal tranquila a pensar que a senhora está sozinha em casa sem NINGUÉM, completamente só.
A vida não é justa.

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